15 de agosto de 2006

O Evangelho segundo a Praça Roosevelt

Para manter um hábito saudável, segue um poema revisitado. Esse saiu, em uma versão anterior, na revista FNX n. xix. Fazia originalmente parte da poesia alheia, ou seja, era um poema desentranhado na íntegra de um texto de autoria de um terceiro – no caso, um artigo de jornal. Um tempo depois de publicado, relendo-o, passei a achar que o poema podia ser mais expressivo sem as limitações alheias. Foi isso que me levou a, não sem alguma ponderação, romper de vez com a escola alienista e republicar o poema por aqui, já devidamente adulterado, conforme segue. (Os versos 1, 4, 5, 8 e 9 deveriam ser recuados para a direita, mas o blog não o permitiu fazer.*)


O EVANGELHO SEGUNDO A PRAÇA ROOSEVELT

......................extraído de um artigo de jornal

.....o que restou, em mim, daquela praça,
além dessas pessoas que se cruzam, terríveis, no contrapasso,
com sua urgência de mundo, de automóveis, de mais metros adiante,
.....são esses santos e similares
.....que nos tentam extrair a ausência,
e uma certa pedagogia de mundo de quem vira do avesso
os próprios bolsos diante de mais aptos. pois são, acaso,
.....os que têm distanciamento que têm a dizer?
.....seus monólogos inauditos? – não:
feito deus ouvido a decibéis, são os moisés da praça roosevelt.

. ....Fábio Aristimunho




(*) Pós-escrito: já aprendi como se faz e incluí o espaçamento.

9 comentários:

ana rüsche disse...
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ana rüsche disse...

puxa, realmente esse é daqueles poemas que eu gostaria de ter escrito. eu o postei lá no peixe de paga-pau.

beijo

ps.: sobre a formatação, tecle pontos finais e os pinte de branco que dá certo. ;)

Fábio Aristimunho disse...

legal, boa dica! e como eu faço pra pintar de branco? já dei uma olhada nas ferramentas e não encontrei.

bom que você gostou, também gosto bastante desse.

bjo.

Paulo Osrevni disse...

O meu blog também não deixa dar recuo. Eu fico com uma raiva que me torce o pescoço! E o pior é que quase sempre eu também não consigo colocar imagens, porque dá algum erro.

Esse negócio dos pontinhos brancos eu faço também. Mas o problema é que o fundo do meu blog é bege, então acaba aparecendo... e quem recebe por rss também vê...

Mas tudo bem, é só pedir pra ignorar os pontinhos brancos!

Geraldo disse...

Fábio, saudável mesmo. Mas não sei, se se permite fazer comentários tipo roda por aqui, acho que perdeu um pouco do ritmo.

Gostava muito de como caía "como Deus ouvido a decibéis, Moisés da Praça Roosevelt". Essas marcas de uma oralidade meio estrangeira, talvez pessoana, 'feito', 'acaso', acho que tiram um pouco da força.

Abraço,

Geraldo

Fábio Aristimunho disse...

Obrigado, Paulo, agora aprendi a colocar pontinhos brancos! E já ajeitei o poema.

Geraldo, seu comentário foi certeiro: na revisita ao poema eu bem que enfrentei esse conflito, mas não estava consciente dele. Agora, olhando a versão original, percebo que a sintaxe meio truncada era uma das qualidades que eu acabei suprimindo. Valeu pelo toque e de volta à prancheta.

Abraços

Geraldo disse...

É verdade que eu sou uma pessoa que gosta de sintaxe truncada...

Quem quiser ler o barangado da vez (ver post #1), tem em http://www.intercidadania.com.br/noticia.kmf?noticia=2576341&sessao=60&total=18&indice=0

Anônimo disse...

Éééé! Dom Geraldo tem razão, muito embora eu não seja propriamente uma entusiasta da sintaxe truncada.
E Snoop, isso aqui está muito bom (Ana R., trate de atualizar o seu filhote com a mesma rapidez, sim?).

Beijos!
Carol M.

ana rüsche disse...

Geraldo, copiei um trecho do link que vc indicou:

"O Evangelho segundo Bortolotto parte da frase de santo Agostinho: "Deus permitiu o mal para dele extrair o bem", ou seja, a maldade do mundo e a ausência de intervenção divina são a pedagogia de Deus. Ex-seminarista, Bortolotto tem a nostalgia de um mundo que fazia sentido. Como Buñuel, vira do avesso a catequese para revistar seus bolsos, com um humor furioso diante da mesquinha moral burguesa. Instiga seus atores a vociferarem sem medo do ridículo, instaura um teatro de bonecos esquizofrênico, no qual só os mais aptos sobrevivem."