18 de dezembro de 2006

Marinela / O marinheiro

Mais uma transcriação de um poema basco, este do séc. XIX. O autor supõe-se que seja um pseudônimo, pois não há registro de sua vida ou de outros poemas de sua autoria. Este poema concorreu em um dos concursos promovidos pelo mecenas Anton Abbadia. Na seqüência estão a tradução para o espanhol e o original em basco.


O MARINHEIRO
.......Betiri Olhondo, 1863
.......Trad. Fábio Aristimunho


..........A minha morada,
..........ela é uma bela
paisagem. Lembra a serra arborizada.
É um palácio de vento, cidadela
de ar! São incontáveis as entradas,
..........muitas as janelas.
Quantas as frestas? Quantos corredores?
Não me preocupa o sol e seus rigores.

..........Se saúde eu tinha,
..........também propriedades:
no mar o atum, no céu as andorinhas.
De San Juan de Luz, nossa cidade,
até a América, tudo eram minhas
..........terras e vontades!
Não vai parar meu moinho a mó incauta
enquanto houver grãos: água não me falta.

..........Nas horas de ócio
..........o que me entretém
é um barco a me servir em sacerdócio.
Saber para onde vai ou se é de alguém
é algo que não me incumbe. Meu negócio
..........é o que me convém.
Não desperdiço um dia de trabalho.
Ainda mais se é de festa ou de baralho.

..........Ou morrer em terra
..........ou morrer no mar
– no fim é tudo a paz da mesma guerra.
Aquietando a alma, podem me atirar.
Se é a barriga de um peixe o que me enterra,
..........eu vou me importar?
Disso o bom marinheiro não se safa.
Mas tenho sede! Passem-me a garrafa!

..............................*

EL MARINERO
.......Betiri Olhondo, 1863
.......Traducción: Koldo Izagirre

..........Sobre una loma
..........Cubierta de robles,
Mi morada está en un bello paraje,
Vivo en un palacio de aire,
¡Son incontables sus puertas y ventanas
..........También sus troneras!
¿Cuántos pasillos?... ¡Muchas grietas!
¡No hay peligro de que me haga daño el sol !

..........Tengo salud
..........Y propiedades...
En el mar atunes, en el cielo grullas...
De San Juan de Luz hasta América
Por todas partes se extienden
..........Mis campos,
Mientras haya grano no parará mi molino,
¡Nunca me falta agua!

..........Para pasear,
..........Para distraerme,
Hay un barco a mi servicio.
De quién es y a dónde va
Es algo que no me incumbe.
..........En esas cosas
No me pierdo los días de trabajo,
Mucho menos cuando es fiesta.

..........Morir en tierra
..........O en el mar,
A fin de cuentas es lo mismo.
Si mi alma está en paz,
Que me entierren en el vientre de un pez
..........¡A mí qué me importa!
El buen marinero vive contento así.
¡Tengo sed! ¡Pasad la botella!

.........................*

MARINELA
.......Betiri Olhondo, 1863

..........Bizkar batean,
..........Haritzen pean,
Ene etxea leku ederrean,
Airezko jauregian ni nago
Zenbat ote du ate ta leiho,
..........Bai eta zilo?
Zenbat arteka?... Zirritu franko!
Udan ez nau beroak joko!

..........Badut osasun
..........Eta ontasun...
Atun itsasoan, airean lertsun...
Donibanetik Amerikara,
Ene landak alde orotara
..........Hedatzen dira,
Bihi dudano badut ihara,
Sekulan ez dut eskas ura!

..........Promenatzeko,
..........Plazer hartzeko,
Untzi bat dago ene zerbitzuko,
Norena den eta norat doan
Ez naiz sartzen xehetasun hortan.
..........Kontu hoietan
Ez naiz galtzen astelegunetan,
Gutiago besta denetan.

..........Hil leihorrean
..........Ala urean,
Deus ez du erran nahi azkenean.
Dudalarik arima bakean,
Ehortz arrain baten sabelean,
..........Ez dut axola!
Marinel ona kontent da hola.
Egarri naiz, hunat botoila!

5 comentários:

ana rüsche disse...

tô vendo que o escritório daqui a pouco irá ter um caso de correr atrás desses direitos autorais todos para vc publicar em grande estilo uma antologia fantástica desses bascos, catalães e cia todos.

senti tua falta no final de semana (como se isso fosse possível).

beijos

Paulo Ferraz disse...

Muito bom, FAV, gostei mesmo, há um certo tom que quase me lembra o Corbière, eu posso estar errado, devo estar, esse tom quase satírico, só não sei se curti muito as rimas alternadas, mas imagino a dificuldade que já foi, reproduzir a estrutura do basco seria mais difícil ainda. Abraços

Fábio Aristimunho disse...

Paulo F, até tentei manter a estrutura do original, mas além de difícil achei que o ritmo ficava monótono, cansativo. Então achei melhor reproduzir na oitava rima camoniana (ABABABCC), que é um ritmo clássico.

Ana R, eu até que tô tentando dar preferência a autores que já caíram no domínio público mas é bem difícil, especialmente dos bascos. Basco bom é basco depois da guerra civil espanhola! rs

a/b

Andréa Catrópa disse...

Ótimas traduções, Fábio.
Já coloquei o link no blog do Casulo.
Até!

ana rüsche disse...

aí, mestre!

beijos