27 de janeiro de 2007

Uma poesia de costumes

Dois poemas de Francesc Vicenç Garcia (1579-1623), poeta do chamado período de decadência da literatura catalã.

Crítica à má pintura de um santo mártir

As mãos que me supliciaram
não me foram tão cruéis
como as que em rudes pincéis
nesta tela me pintaram.

Se de entre leões saí
incólume e imaculado,
por um asno atropelado
fui, como se vê aqui.

..........Trad. Fábio Aristimunho


Crítica d’una mala pintura d’un sant màrtir

Les mans que m’aturmentaren
no foren en mi tan feres
com les torpes i grosseres
que en aquest llenç me posaren.

D’entre molts lleons isquí
tot sencer i immaculat,
i un ase m’ha atropellat
tal qual me veuen aquí.

..........Francesc Vicenç Garcia


..........................***

Epitáfio

.........à sepultura de um grande bebedor
.........de aguardente, que morreu de gota


Aqui jaz o que pensou
estar a salvo da gota,
porque d’água uma só gota
(só ardente) nunca tomou;
por fim a gota o esgotou
e o tragou destes conflitos.
E por tempos infinitos
estará sua epiderme
ilesa, pois nenhum verme
a tomará dos mosquitos.

..........Trad. Fábio Aristimunho


Epitafi

.........a la sepultura de un gran bevedor
.........de aiguardent, que morí de gota


Hic jacet lo qui cregué
ésser preservat de gota,
puix d’aigua sols una gota,
si no ardent, mai la begué.
Gota l’agotà i tragué
d’esta vall de plors i crits;
i per segles infinits
estarà sencer son cos,
que cuc no hi ha que hi dón mos,
perquè el guarden los mosquits.

..........Francesc Vicenç Garcia

2 comentários:

Geraldo disse...

Uma estética diferente, mas bem interessante...preciso retomar as traduções, é dura a vida de blogueiro que não consegue postar qualquer coisa, hehehe!

Abraço!

Carol Marossi disse...

Faço minhas as palavras de Dom Geraldo, o pequeno dragão! Não tenho nada mais para postar: estou sem qualquer inspiração pra escrever- escrevendo dissertação, quem teria?

Acho que você deveria lançar um livro só com as traduções, Fábio! Você é muito bom nisso. E versátil.
Beistos!