7 de outubro de 2010

Babel da bicharada

Vídeo-poema Babel da bicharada, com participação especial e voz de Ana Júlia, em seus 60 dias de idade.



Babel da bicharada

A ema mandou um e-mail
chamando o pombo-correio.

O coelho ligou pra coelha,
alugando a sua orelha.

O lobo, de tão bonzinho,
interfona aos três porquinhos.

A lebre, sem qualquer rusga,
torpedeia a tartaruga.

A pulga sobre o buldogue
atualiza o microblog.

O peixe ficou boiando
quando leu o memorando.

O sapo no bate-papo
cochichou e encheu o papo.

Da praia o caranguejo
dá um aceno e manda um beijo.

A foca, mas que fofoca!,
vai sair de sua toca.

A cobra fica enrolada
com sua língua afiada.

A aranha caiu na rede,
que a viram subir paredes.

Tanajura faz sucesso:
banda larga e livre acesso.

A arara ficou uma arara,
ninguém lhe telefonara.

O elefante diz no Orkut:
“Também vou, não sou um mamute.”

Amebas de celular
já combinam de festar,

mas nem marketing viral
será aceito no portal.

O rato clicando o mouse,
joão-de-barro na lan-house,

o galo ciscando spam,
o girino olhando a rã.

Assim, feito carrapicho,
espalhou-se pelos bichos

o convite para o show.
Vamos lá que eu também vou!


Fábio Aristimunho Vargas


26 de setembro de 2010

Fotos do lançamento duplo

Dia 18 de setembro de 2010.

Eu e Ana, autores de Pré-datados e Nós que adoramos um documentário.

Renan Nuernberger, que apresentou meu livro.

Beto, Tania e Daud.

Os escritores Alfredo Fressia e Maiara Gouveia.

Público na Casa das Rosas.

Luciana Rosa e a irmãzinha da Olívia.

Apresentação dos livros.

Andréa Catropa.

Dirceu Villa.

Paulo Ferraz.

Rafael Daud.

Ingrid e Luiz Fernando, da nova Academia.

Predatando.

Com Fred Barbosa.

No bar La Tapa, nova casa do cheff amigo Dan Rolim.

16 de setembro de 2010

LANÇAMENTO DUPLO

Dia 18/09/2010, sábado

Pré-datados, de Fábio Aristimunho Vargas
Lumme Editor, 74 páginas, poesia

Nós que Adoramos um Documentário, de Ana Rüsche
Editora Ourivesaria da Palavra, 128 páginas, poesia

16h | APRESENTAÇÃO DOS LIVROS
Mediação: Beatriz Galvão
- Renan Nuernberger
- Silvana Pessoa

LEITURA DE POEMAS
- Andréa Catropa
- Berimba de Jesus
- Dirceu Villa
- Maiara Gouveia
- Paulo Ferraz
- Rafael Daud
- Roberta Ferraz

18h | Autógrafos no Café

Os livros serão vendidos a R$ 22,00.

Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura
Av. Paulista, 37, São Paulo-SP.
Tel.: (11) 3285.6986 / 3288.9447, contato.cr@poiesis.org.br

CasaDasRosas.jpg

O lançamento duplo comemora também os 5 anos de nossos livros de estreia, respectivamente Medianeira e Rasgada, que lançamos no mesmo local em setembro de 2005.

Espero vocês lá!


1 de setembro de 2010

O olhar do tradutor IV

O evento "O olhar do tradutor", em sua quarta edição, será realizado em Curitiba de 10 a 17 de setembro de 2010.

Organizado pela área de Estudos da Tradução do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFPR, o evento terá conferências e oficinas com renomados especialistas e estudiosos da tradução.

Darei uma oficina sobre "Tradução de poesia: galego, espanhol, catalão, basco", na quarta-feira 15 de setembro, das 9h às 11h.

16 de julho de 2010

Panorama histórico de la poesía vasca: una mirada lusohablante

Está disponível online minha monografia sobre poesia basca, "Panorama histórico de la poesía vasca: una mirada lusohablante", realizada em 2008 durante o curso Especialista Interuniversitario en Estudios Vascos, da Universidad del País Vasco, com bolsa da Fundación Asmoz de Eusko Ikaskuntza.

Ementa:

Aristimunho Vargas, Fabio (2008). "Panorama histórico de la poesía vasca: una mirada lusohablante"

Este trabajo de investigación propone organizar ciertas líneas generales que proporcionen al lector de lengua portuguesa un primer contacto con la poesía vasca, lengua en que tal poesía mantiene un relativo carácter inédito. En la primera parte, se traza un panorama histórico de la literatura vasca desde sus orígenes hasta el siglo XX, buscando identificar algunas características históricas esenciales de tal literatura que permitan una mejor comprensión bajo la atenta mirada del lector del siglo XXI. En la segunda parte, se organiza una antología de la poesía vasca traducida al portugués, con una selección de treinta composiciones poéticas vascas desde los cantares medievales hasta la poesía inmediatamente anterior a la Guerra Civil finalizada en 1939. Las traducciones, realizadas sobre todo a partir de versiones literales castellanas y francesas, siguen una cierta tradición brasileña de “transcreación” de poesía, más preocupada en recrear en la lengua importadora algunos elementos en principio intraducibles de la lengua importada que en preservar una fidelidad estricta al texto original.


Disponível aqui.

29 de maio de 2010

IV Seminário do CEHISP/Unicamp




CONVITE

O CENTRO DE PESQUISA EM ESTUDOS HISPANO-AMERICANOS DO IEL(CEHISP-IEL) tem o prazer de convidar professores, alunos e demais interessados, para o dia de atividades abertas em seu Quarto Seminário, a ser realizado no IEL nos próximos dias 17 e 18 de maio.

O evento, destinado a promover o debate da pesquisa em andamento no CEHISP sobre temas linguísticos, literários e culturais hispano-americanos, contará com a presença de três convidados externos, que, certamente, enriquecerão esse debate: Fábio Aristimunho Vargas, Maria Teresa Celada e Fernão Ramos. Encaminhamos, a seguir, a Programação.


Cordialmente,


Comissão Organizadora - CEHISP

Silvana Serrani (Coordenação)

Miriam Gárate

Mónica Zoppi-Fontana

Walter Costa

PROGRAMAÇÃO

Dia 17 de maio de 2010

9:00 horas – IEL – Sala de Colegiados


Mesa-redonda

Antologias, Poesia Hispânica e Diversidade Cultural


Fábio Aristimunho Vargas (UFPR): "A Guerra Civil Espanhola como fator de convergência das literaturas galega, espanhola, catalã e basca".


Walter C. Costa (UFSC-PGET/Cehisp): "Antologizando a poesia chilena dos séculos XX e XXI".


Silvana Serrani (UNICAMP-IEL/Cehisp) (coord.): “Memória Poético-cultural do Cone Sul em Antologias Bilíngues”.


11:00 horas – IEL – Sala de Colegiados

Palestra com debate

Espanhol/português – Entremeio e memória: entre o desejo e o devir

Palestrante: María Teresa Celada (FFLCH-USP)

Coordenação e debate: Mónica G. Zoppi Fontana (IEL-UNICAMP/Cehisp)


14:30 horas – IEL – Sala de Colegiados

Palestra com debate

Estruturas Narrativas do Cinema Documentário

Palestrante: Fernão Ramos (IA-UNICAMP)

Coodenação e debate: Miriam Gárate (IEL-UNICAMP/Cehisp)


Dia 18 de maio

Reuniões de Pesquisa dos Membros Efetivos do CEHISP-IEL.


MINICVs DOS PROFESSORES CONVIDADOS


Fábio Aristimunho Vargas

Escritor, professor e advogado. Bacharel em Direito e mestre em Direito Internacional pela USP, especialista em Direito Internacional Privado pela Universidad de Salamanca e especialista em Estudos Bascos pela Universidad del País Vasco. Foi tradutor-residente na Universitat Autònoma de Barcelona com bolsa do Institut Ramon Llull (2009). Autor dos poemários Medianeira (2005) e Pré-datados (2010). Organizador e tradutor da coleção Poesias de Espanha: das origens à Guerra Civil, em quatro volumes: Poesia galega, Poesia espanhola, Poesia basca e Poesia catalã (2009), este último premiado pelo Institut Ramon Llull. Como organizador-tradutor de poesia publicou ainda: Antologia Vacamarela (2007), coletânea trilíngue de jovens poetas brasileiros; La entrañable costumbre (2008), do mexicano Luis Aguilar; e Canto desalojado (2010), do uruguaio Alfredo Fressia. É professor de Direito Internacional e Direitos Humanos em Foz do Iguaçu.


María Teresa Celada – FFLCH-USP

Possui graduação em Licenciatura em Letras/orientação em linguística (1983) e Bacharelado em Letras (1987), ambas pela Universidad de Buenos Aires, e doutorado em uLinguística pela Universidade Estadual de Campinas (2002). O título de sua tese é ;O espanhol para o brasileiro. Uma língua singularmente estrangeira. Atualmente é professora doutora da Universidade de São Paulo. Desenvolve pesquisas na área de uLinguística, com ênfase em Análise do Discurso, que se centram no estudo do funcionamento da língua espanhola e da língua do brasileiro, nos contrastes entre o funcionamento de sujeitos e discursos no Brasil e na Argentina, nos processos de integração regional (Mercosul) e nos processos de aquisição de língua estrangeira. É coordenadora da Área de Espanhol do Centro de Línguas da USP desde 2003. Atua como pesquisadora do Projeto de investigação Científica e Tecnológica: Planeamiento del lenguaje en el Mercosur: estudio glotopolítico y propuestas para la enseñanza media, sob a responsabilidade de Elvira Arnoux (UBA). Em 2008 desenvolveu projeto de pesquisa de pós-doutorado na UBA (Argentina) com bolsa da Fapesp (Processo 08/54641-9): Trilhas da memória discursiva sobre o português na Argentina. Sujeitos/línguas. Saberes. Relatório de pesquisa aprovado em marzo de 2009 pela FAPESP e, posteriormente, pela CERT (USP).


Fernão Ramos

Professor Titular do Departamento de Cinema da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Foi presidente fundador da SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema) (1997/2001). Atuou como professor convidado do Departamento de Cinema e Audiovisual da Universidade Paris III/Sorbonne Nouvelle (2000). Em 2008 publicou 'Mas Afinal...o que é mesmo documentário?'. É autor e organizador de 'Cinema Marginal, a Representação em seu Limite' (1987), 'História do Cinema Brasileiro'(1987), 'Enciclopédia do Cinema Brasileiro'(2000) e 'Teoria Contemporânea do Cinema - vols. I e II' (2005). Possui pós-doutorado na Tisch School of Arts da New York University (1996/97), na UCLA (University of California - Los Angeles - 2000/01) e na Université de Montreal (2005). Orienta, leciona e pesquisa na área Cinema, com ênfase em Cinema Documentário, Teoria do Cinema e Cinema Brasileiro.


Exposição sobre antologias na Biblioteca do IEL.

A Biblioteca do IEL.

D. Ana Llagostera, que gentilmente me abriu a Biblioteca do IEL mesmo com a greve na Unicamp.

12 de maio de 2010

Canto desalojado, de Alfredo Fressia



O poeta uruguai Alfredo Fressia, que mora há mais de trinta anos em São Paulo, lança uma antologia bilíngue no dia 20 de maio, na Casa das Rosas.

Publicada pela Lumme Editor, "Canto desalojado" conta com a organização e tradução de Fábio Aristimunho Vargas.

10 de maio de 2010

Salão Internacional do Livro 2010


O Salão Internacional do Livro Foz do Iguaçu 2010 acontecerá de 6 a 16 de maio. Estou na programação do dia 14/05/10, com duas intervenções:

- 10h: mesa "Literatura e o Direito", em que vou falar sobre (I) o Direito na Literatura, abordando algumas obras literárias que tratam de temas jurídicos, como "Antígona", de Sófocles, "Apologia de Sócrates", de Platão, e "O navio negreiro", de Castro Alves, e (II) a Literatura para o Direito, tratando de temas como direitos de autor, liberdade de expressão, direito de imagem, reprodução, políticas públicas e o plágio.

- 11h: leitura do livro "Pré-datados". Deveria ser o lançamento do livro, mas a editora avisou que infelizmente não ficará pronto a tempo, então vou fazer uma leitura dos poemas, que serã projetados no telão.

Programação:







A programação também está disponível neste endereço e neste outro.



26 de abril de 2010

Recuerdos de Ypacaraí


Recuerdos de Ipacaray era a música favorita do meu pai, que ele adorava cantar com os amigos, especialmente na Casa Paraguaia, onde toda a família se reunia nos churrascos de domingo.


Curiosamente a canção, uma das mais conhecidas mundo afora sobre o Paraguai, gravada e regravada por, entre outros, Julio Iglesias, foi composta por uma argentina que só foi pisar as terras guaranis longos anos depois do estrondoso sucesso de sua composição, já na terceira idade.


Dia desses me peguei cantarolando Recuerdos de Ipacaray, que ficou dias e dias me martelando. Justo eu, que nunca tinha atentado para a letra e achava que não tinha nenhuma relação especial com ela.


A tradução me veio espontaneamente, que transcrevo a seguir. Anexo também uma interpretação da cantora Perla.




Recuerdos de Ypacaraí


Zulema de Mirkin e Demetrio Ortiz


Una noche tibia nos conocimos

Junto al lago azul de Ypacaraí

Tú cantabas triste por el camino

Viejas melodías en guaraní.


Y con el embrujo de tus canciones

Iba renaciendo tu amor en mí

Y en la noche hermosa de plenilunio

De tu blanca mano sentí el calor

Que con sus caricias me dio el amor.


Donde estás ahora cuñataí

Que tu suave canto no llega a mí

Donde estás ahora mi ser te añora

Con frenesí.


Todo te recuerda mi dulce amor

Junto al lago azul de Ypacaraí

Donde para siempre mi amor te espera

Cuñataí.


Lembranças de Ipacaraí


Trad. Fábio Aristimunho Vargas


Uma noite fria nos conhecemos

Junto ao lago azul de Ipacaraí

Tu cantavas triste pelo caminho

Velhas melodias em guarani.


E com o encanto de tuas cantigas

Ia renascendo meu amor por ti

E na bela noite de plenilúnio

De tua branca mão eu senti o calor

Que com seus carinhos achei o amor.


Onde estás agora, cunhataí,

Que teu suave canto não chega aqui

Onde estás agora meu ser te implora

Com frenesi.


Tudo faz lembrar-te, meu doce amor,

Junto ao lago azul de Ipacaraí

Onde para sempre meu amor te espera

Cunhataí.



Comentários à tradução:


Cuñataí é menina-moça em guarani. O lago de Ypacaraí fica perto de Assunção e nada tem de azul. Há divergências quanto a algumas passagens do original, especialmente com relação ao penúltimo verso.


A palavra noche aparece duas vezes, ora qualificada como tibia (morna), ora como hermosa (linda). Inicialmente pensei trocar a posição dos adjetivos na tradução (“Uma noite linda nos conhecemos”, “E na noite morna de plenilúnio”), preservando a sonoridade das vogais. No entanto essa solução, ponderei depois, iria contra teor da letra: a noite começa morna e se torna linda conforme o amor toma forma. Alterar essa ordem seria intervir fortemente no texto. Por fim cheguei à solução de qualificar a noite como “fria” no primeiro verso, solução que entendo mais fidedigna e que combina mais com o "triste" da primeira estrofe.


Os versos “De tu blanca mano sentí el calor / Que con sus caricias me dio el amor” podem, numa tradução literal, se mostrar de complexa compreensão para o ouvido brasileiro, acostumado a confundir a 2ª e a 3ª pessoas. Quem deu o calor, tu ou a mão? Para contornar o problema optei por “achei o amor”.


Todo te recuerda não pode ser traduzido como “Tudo te recorda”, que teria mais o sentido de “todas as coisas se lembram de você” e não de “tudo faz lembrar de você”. Optei pelo sintético “Tudo faz lembrar-te”.


21 de março de 2010

Biografia do Cid Moreira

A Prumo Editora lança a biografia do jornalista Cid Moreira, "Boa noite", de autoria da jornalista Fatima Sampaio Moreira.

O livro traz uma tradução minha, de um excerto do Cantar de Mio Cid, que segundo a biografia foi a fonte de inspiração da mãe de Cid Moreira ao escolher seu nome.

Haverá lançamentos em São Paulo e Rio de Janeiro. Abaixo, o convite para o lançamento em São Paulo.


3 de fevereiro de 2010

Resenha no Avui, jornal de Barcelona


Tradução da resenha:

Um tradutor de antologia

Texto: Melcion Mateu

O brasileiro Fábio Aristimunho Vargas antologa e traduz a poesia das quatro literaturas da Espanha das origens até 1939

O 70º Aniversário do término da guerra foi, no Brasil, o pretexto editorial para o lançamento de Poesias de Espanha: das origens à Guerra Civil (São Paulo: Hedra, 2009). Trata-se de quatro antologias – em formato bilíngue, original e português – dos clássicos da poesia galega, castelhana, catalã e basca. Todas selecionadas, anotadas e traduzidas por um só antologista, o jovem poeta Fábio Aristimunho Vargas, nascido há 32 anos na cidade de Foz do Iguaçu, na tríplice fronteira entre o Brasil, a Argentina e o Paraguai.

Olhe-se por onde se olhe, trata-se de um feito excepcional. Poucos devem ser os leitores da literatura das quatro línguas oficiais do Estado [Espanhol] no original. E ainda menos os capazes de recolhê-la, anotá-la e traduzi-la com o cuidado, a dedicação e o conhecimento que demonstra o antologista em questão.

Segundo confessa o próprio na introdução geral aos quatro volumes, o impulso inicial que o levou a assumir essa tarefa enciclopédica foi o fato de que “não havia notícias de obra alguma publicada na Espanha com o propósito de reunir, em uma antologia, a poesia das quatro línguas oficiais daquele país”. O que não temos nem na Catalunha nem na mais vasta Espanha agora já se tem no Brasil.

As quatro antologias foram feitas com critérios históricos e canônicos, que procuram representar os principais períodos e correntes estéticas e dão mais visibilidade – com mais poemas traduzidos – aos autores mais destacados. Este ar acadêmico contrasta com a qualidade das traduções, verdadeiras recriações em verso dos originais.

Por proximidade cultural a antologia galega é a porta de entrada às Poesias de Espanha. Em um breve intercâmbio de e-mails, Fábio admite que “os linguistas são unânimes em reconhecer que o galego e o português são parte de um mesmo sistema linguístico”. Apesar disso, o antologista justifica a sua tradução por aproximá-la “do leitor brasileiro, geograficamente distante e desconhecedor da realidade galega” e pela existência, no Brasil, de “uma certa tradição editorial de se publicar a literatura galega traduzida ao português, coisa que em muitos casos equivale a uma mera adaptação ortográfica”. Talvez por esta razão, as traduções mais interessantes do ponto de vista da recriação literária sejam precisamente as do patrimônio comum da lírica galego-portuguesa, com poemas de Martim Códax, Airas Nunez e Afonso X, entre outros. Fábio Aristimunho Vargas propõe estas versões como modernizações do original medieval sem perder a qualidade poética.

Poeta e advogado

O castelhano é também uma língua bem próxima de Fábio, que além de crescer em uma cidade fronteiriça é filho de paraguaio. Formado em Direito, explica que a sua verdadeira imersão castelhana foi em 2002, quando cursou uma pós-graduação em Salamanca: “Foi nesta mesma ocasião que tive o meu primeiro contato com o catalão e com o basco, de cuja existência eu já tinha conhecimento. A vitalidade das duas línguas me surpreendeu completamente, sobretudo a onipresença do catalão nas ruas e nas placas de Barcelona e o estranhamento que senti no meu primeiro contato com o euskera no País Basco. Esta experiência despertou a minha curiosidade; quanto ao euskera, acrescente-se o fato de eu ser descendente de bascos (o meu sobrenome Aristimunho é de origem basca), sempre tive curiosidade de conhecer as minhas origens”. A seleção em castelhano compartilha dois autores com a antologia galega: Fábio nela recolhe a poesia castelhana de Rosalía de Castro, da mesma maneira que, na antologia galega, recupera alguns poemas em galego de Federico García Lorca.

A antologia catalã – que contou com um apoio do Instituto Ramon Llull – vai desde os trovadores ao poema A Mallorca, durant la Guerra Civil, de Bartomeu Rosselló-Pòrcel, poema que João Cabral de Mello Neto já havia traduzido em Quinze poetas catalães que publicou em 1949. Fábio confessa que foi Ausiàs March o primeiro poeta que o surpreendeu em catalão. “A primeira vez que o li, tive imediatamente a impressão de alguma coisa já conhecida, experimentada, ainda que não soubesse determinar de onde vinha essa impressão”. Depois percebeu a influência que o poeta valenciano teve sobre Garcilaso de la Vega, por mediação de Joan Boscà, mais conhecido como Juan Boscán.

Baladas de tradição oral

Finalmente, na tradução da poesia basca, Fábio se permite mais flexibilidade formal, empregando frequentemente versos brancos, sem rima. Aí se destacam, por sua beleza, as versões de baladas e canções de tradição oral, como Casada e viúva num só dia e A moça raptada.

A apresentação geral do antologista aos quatro volumes realiza uma descrição da realidade plurilíngue da Espanha, e as notas biobibliográficas que acrescenta ao final do seu trabalho refletem a sua curiosidade intelectual e o seu processo criativo. Antologias como estas, em conclusão, deveriam existir em cada uma das línguas do Estado [Espanhol], mas já é uma sorte que existam em português.


(Avui. Suplement Cultura, p. 9. Barcelona, 14 de gener del 2010)